Do desafio ao design: um framework para experiências de aprendizagem ativas
No PBL “Design de atividades didáticas mediadas por tecnologias”, o desafio da professora Helena evidencia uma questão central da educação contemporânea: a simples inserção de tecnologias digitais não garante inovação pedagógica nem aprendizagem significativa. O problema apresentado reforça a necessidade de um design didático intencional, capaz de articular objetivos de aprendizagem, metodologias, interações, recursos tecnológicos e avaliação de forma coerente e participativa.
Nesse contexto, Mishra, Koehler e Cain (2013), por meio do modelo TPACK, defendem que o professor precisa integrar conhecimentos pedagógicos, tecnológicos e do conteúdo para utilizar as tecnologias de maneira significativa no processo educativo. Da mesma forma, Coll e Monereo (2010) destacam que os ambientes digitais de aprendizagem devem favorecer interação, colaboração e participação ativa dos estudantes, superando práticas centradas apenas na transmissão de conteúdo.
Rêgo e Lima (2010) reforçam que o planejamento didático precisa considerar objetivos claros, estratégias metodológicas e avaliação coerente com as necessidades dos estudantes. Em diálogo com essa perspectiva, Lima e Viana (2018) defendem que as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) devem estar articuladas às intencionalidades pedagógicas e não apenas ao uso instrumental das ferramentas.
As contribuições de Hayashi e Baranauskas (2013) ampliam essa discussão ao defenderem um design mais sensível, acessível e centrado nas experiências humanas. Já Posada (2015) destaca que ambientes colaborativos e interativos favorecem a co-construção do conhecimento, fortalecendo protagonismo, criatividade e participação discente.
Nesse cenário, o framework proposto pode ser compreendido como uma estrutura organizacional e visual que orienta o planejamento, a execução e a avaliação das atividades mediadas por tecnologias. Seu objetivo é integrar, de maneira sistêmica, elementos como objetivos de aprendizagem, metodologias ativas, recursos digitais, avaliação, acessibilidade e engajamento dos estudantes, funcionando como um guia para apoiar a tomada de decisões pedagógicas fundamentadas.
Ferreira, Ota e Araujo Jr. (2021) afirmam que o framework contribui para o alinhamento construtivo entre objetivos, atividades e avaliação, favorecendo o planejamento de aulas ativas em contextos presenciais, online e híbridos. Boscarioli e Bastos (2020) complementam que frameworks educacionais auxiliam no desenvolvimento das competências digitais docentes, promovendo práticas pedagógicas mais críticas, éticas e colaborativas. Já Przydzimirski et al. (2025) definem o framework como uma estrutura conceitual que organiza processos e facilita a visualização das etapas da aprendizagem, tornando o ensino mais dinâmico, participativo e alinhado às demandas contemporâneas da educação.
Assim, o problema evidencia que o professor atua como designer da aprendizagem, organizando experiências educativas intencionais, acessíveis e participativas. O framework visual surge, portanto, como uma estratégia pedagógica capaz de tornar visíveis as relações entre objetivos, metodologias, tecnologias e avaliação, contribuindo para práticas educativas mais significativas e centradas na aprendizagem ativa dos estudantes.
Referências:
BOSCARIOLI, Clodis; BASTOS, Thais B. M. C. Framework competências digitais para professores. 2020.
COLL, César; MONEREO, Carles (orgs.). Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com as tecnologias da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010.
FERREIRA, Tatiane Carvalho; OTA, Marcos Andrei; ARAUJO JR., Carlos Fernando de. Framework para o planejamento de aulas ativas nos espaços de aprendizagem online e presencial. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 7, n. 1, p. 2969-2979, 2021.
HAYASHI, E. C. S.; BARANAUSKAS, M. C. C. “Affectibility” and Design Workshops: Taking actions towards more sensible design. In: Proceedings of the 12th Brazilian Symposium on Human Factors in Computing Systems. Porto Alegre, 2013. p. 3-12.
KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013.
LIMA, I. P.; VIANA, M. A. P. Prática docente com uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação: possibilidades e limites. In: MERCADO, L. P. L.; VIANA, M. A. P.; PIMENTEL, F. S. C. (Org.). Estratégias Didáticas e as TIC: ressignificando as práticas na sala de aula. Maceió: Edufal, 2018.
POSADA, Julián Esteban Gutiérrez. Interfaces Tangíveis e o Design de Ambientes Educacionais para Co-construção de Narrativas. Tecnologias, Sociedade e Conhecimento, Campinas, v. 3, n. 1, p. 104-107, 2015.
PRZYDZIMIRSKI, Andreise Costa et al. Proposta pedagógica (framework) para o uso das metodologias ativas na educação a distância. Anais do 30º CIAED - Congresso Internacional ABED de Educação a Distância, 2025.
RÊGO, Luciane Borges do; LIMA, Maria Vitória Ribas de Oliveira. Didática. Recife: Editora da Universidade de Pernambuco, 2010.
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